
Como o tigre faminto aguarda a presa
Escondido entre ramos na floresta,
Eu aguardo a passagem da Beleza
P’ra alimentar o tempo que me resta.
Mas em minha floresta secular
As plantas têm veneno e os frutos, fel;
Não há aonde se possa caminhar
Sem que haja frio e esteja escuro o céu.
Ainda assim, quando uma rosa nasce
No solo agreste desse chão maldito,
Posso ver em suas pétalas a face
Da esperança que me fez proscrito,
Por sabê-la ilusão de chuva mansa
Que molha a terra mas nunca a descansa.
Perdizes, agosto de 2009

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