
Mesmo que o canto esteja torto
E não se enquadre no teu gosto,
Continuará soando absorto
Pois que nasceu num mês de agosto.
Mesmo que a verve, indefinida,
Não toque fundo no teu peito,
Resplenderá, cheia de vida,
Na solidão do insatisfeito.
Mesmo que o tempo nunca faça
Outro destino e outra conduta,
Serei fiel à minha raça
E terei sangue para a luta.
Mesmo que o amor nunca recolha
Minhas lamúrias e meu pranto,
Sempre terei uma outra escolha,
Mesmo que seja o desencanto.
Mesmo que saibas, ó querida,
Que o meu amor nunca perece,
Já não terás a minha vida
E nem tampouco a minha prece.
Perdizes, agosto de 2009

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