quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Só o que temos é o agora.
Se ainda nos lembramos
de outrora
remanescendo a lágrima já seca
ou tentando colher o que ainda
nem foi plantado,
tenhamos paciência e cuidado
para ofertar da própria mão
nosso punhado de afeição.
Agora sou, porque já fui e inda serei
do meu castelo o mandatário, o rei.
Mas não posso ordenar que o tempo ressuscite
o que já feneceu e que agora inexiste.
João Paulo Ribeiro, janeiro de 2013
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
A Rede
Não é que o Facebook seja a rede
para socializar a quem tem sede
de se fazer notório.
É algo bem mais simples, mas não pense
ser simplório. O que de fato acontece
não é o Facebook ser teia, nem quem tece.
É um entrelaçado apenas
De existências em senhas.
Mas nele posto, e se o meu rosto
no canto esquerdo fica exposto,
sou apenas mais um que não se mostra.
É sombra apenas do que somos
este nosso avatar desnecessário.
Façamos, pois, de nossa máscara
um espelho barato que descasca
e deixa entrever a forma nua
que tentamos esconder,
mas que teima e se insinua
Não é que o Facebook seja a rede
para socializar a quem tem sede
de se fazer notório.
É algo bem mais simples, mas não pense
ser simplório. O que de fato acontece
não é o Facebook ser teia, nem quem tece.
É um entrelaçado apenas
De existências em senhas.
Mas nele posto, e se o meu rosto
no canto esquerdo fica exposto,
sou apenas mais um que não se mostra.
É sombra apenas do que somos
este nosso avatar desnecessário.
Façamos, pois, de nossa máscara
um espelho barato que descasca
e deixa entrever a forma nua
que tentamos esconder,
mas que teima e se insinua
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Tem 18 anos, mora na casa dos pais e por eles é sustentado. Trabalha - ou melhor, passa o dia num subemprego. Na faculdade interiorana cerca-se de meninas mais preocupadas com a cor do próprio cabelo do que com a disciplina chata na lousa. Tenta passar uma imagem descolada e irresistível, apesar de sentir-se inseguro e ter medo quando está sozinho. Usa o Facebook como se fosse um grupo de terapia, pois só posta frases baratas de autoajuda, e sente-se valorizado quando seus pares as curtem e comentam. Na chegada do fim de semana, vai "beber e moer". Talvez seja apenas uma fase da vida, algo como brincar de ser adulto e poder fazer tudo o que quiser, uma inestimável libertação da infância. Mas que me dá náuseas e me faz desacreditar desta geração, isso dá...
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Andava devagar porque não tinha pressa,
e hoje leva o sorriso além do choro ou mágoa;
Nunca foi forte nem feliz - isso não lhe interessa...
não é tolo nem sábio,
não é fogo nem água.
Já conhece as manhas e as manhãs,
das massas o sabor não se compara ao das maçãs;
aprendeu a viver sem amor, e pulsar
depende apenas da mulher que lhe vier ao lar;
já foi homem de sorrir sem ter paz,
mas prefere ter paz a precisar sorrir.
Florir sem chuva sabe ser possível.
O que não sabe é o que ainda lhe não cabe.
Ainda anda devagar, porém com pressa
como se houvesse um temporal sobre sua cabeça.
e hoje leva o sorriso além do choro ou mágoa;
Nunca foi forte nem feliz - isso não lhe interessa...
não é tolo nem sábio,
não é fogo nem água.
Já conhece as manhas e as manhãs,
das massas o sabor não se compara ao das maçãs;
aprendeu a viver sem amor, e pulsar
depende apenas da mulher que lhe vier ao lar;
já foi homem de sorrir sem ter paz,
mas prefere ter paz a precisar sorrir.
Florir sem chuva sabe ser possível.
O que não sabe é o que ainda lhe não cabe.
Ainda anda devagar, porém com pressa
como se houvesse um temporal sobre sua cabeça.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
domingo, 30 de outubro de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
Metamorfose Ambulante
A katlin Alves
Não prefiro ser nem o que sou
Nem Metamorfose.
Tu também,
Se fome tiveres de Além,
Alçarás vôo.
Enquanto que eu
Como um homem que nunca bebeu
Estou.
E já que sou
Meu próprio pai, quem sabe avô
Partilharei contigo
Em gesto sóbrio de amigo
Metamorfo, metonímio,
Minha primeira dose.
Talvez a lenda
Da lagarta tornando borboleta
Ou vice-versa
Seja verdade.
Se somos hoje, ontem fomos.
Mas não propomos ser quem somos.
Daí a fatalidade
Da Metamorfose nunca vir a tornar-se
Realidade.
Araxá, junho de 2011
Não prefiro ser nem o que sou
Nem Metamorfose.
Tu também,
Se fome tiveres de Além,
Alçarás vôo.
Enquanto que eu
Como um homem que nunca bebeu
Estou.
E já que sou
Meu próprio pai, quem sabe avô
Partilharei contigo
Em gesto sóbrio de amigo
Metamorfo, metonímio,
Minha primeira dose.
Talvez a lenda
Da lagarta tornando borboleta
Ou vice-versa
Seja verdade.
Se somos hoje, ontem fomos.
Mas não propomos ser quem somos.
Daí a fatalidade
Da Metamorfose nunca vir a tornar-se
Realidade.
Araxá, junho de 2011
terça-feira, 26 de abril de 2011
EU
O amor já não canto em costura de versos.
Agora me arremesso
Ao revés dos que buscam ser felizes.
Cortei minhas raízes
E delas fiz asas maiores que o céu.
Tenho muito, e o que tenho sou eu
Batendo com as mãos nuas na rocha inculta.
Não te aconselho
Se a meio
Vieres participar dessa luta.
O sono fez-me par de teu silêncio.
As janelas fechadas traduzem meu quarto:
Nada mais sou que um abstêmio
A quem tomaram o último trago.
Se me condenso a chuva tarda.
Restam alguns respingos, mas amarga
A brisa cresce do que fora água.
Mas não repara:
As almas delirantes repousam
E depois do descanso ainda ousam.
Agora me arremesso
Ao revés dos que buscam ser felizes.
Cortei minhas raízes
E delas fiz asas maiores que o céu.
Tenho muito, e o que tenho sou eu
Batendo com as mãos nuas na rocha inculta.
Não te aconselho
Se a meio
Vieres participar dessa luta.
O sono fez-me par de teu silêncio.
As janelas fechadas traduzem meu quarto:
Nada mais sou que um abstêmio
A quem tomaram o último trago.
Se me condenso a chuva tarda.
Restam alguns respingos, mas amarga
A brisa cresce do que fora água.
Mas não repara:
As almas delirantes repousam
E depois do descanso ainda ousam.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
TOM PESSOAL
Não escrevo o que sinto:
Escrevo labirinto
De onde sei a saída.
Nestas salas de vidro
Eu paro, eu olho, eu sinto
O que foi minha vida.
São paisagens-memória
Mortas, rememoradas
Qual nos livros de história
As mentiras contadas
São irmãs do real.
O papel me confessa:
Dele a letra impressa
É meu tom pessoal.
Escrevo labirinto
De onde sei a saída.
Nestas salas de vidro
Eu paro, eu olho, eu sinto
O que foi minha vida.
São paisagens-memória
Mortas, rememoradas
Qual nos livros de história
As mentiras contadas
São irmãs do real.
O papel me confessa:
Dele a letra impressa
É meu tom pessoal.
terça-feira, 1 de março de 2011
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Aquela que virá
Espera por aquela que lhe ofertará um beijo
Mas não a espere com tanto desejo.
Ela virá no tempo certo. Se a encontrar desperto
Fecha seus olhos para o sonho, para a vida
Que em fogo feneceu já consumida,
Mas como toda chama segue o vento,
Espere-a renascer, sem ódio ou ressentimento.
Então ela virá, a sussurrar delícias,
Coberta por um manto branco de carícias.
Beije-a e siga, ó viajante sem destino,
Tornado pelo amor mais uma vez menino.
Mas não a espere com tanto desejo.
Ela virá no tempo certo. Se a encontrar desperto
Fecha seus olhos para o sonho, para a vida
Que em fogo feneceu já consumida,
Mas como toda chama segue o vento,
Espere-a renascer, sem ódio ou ressentimento.
Então ela virá, a sussurrar delícias,
Coberta por um manto branco de carícias.
Beije-a e siga, ó viajante sem destino,
Tornado pelo amor mais uma vez menino.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Prólogo do livro "O Ensaio Falhado", de João Paulo Ribeiro
Este livro se chama O Ensaio Falhado.
Outro nome talvez lhe roubasse a essência.
O autor decidiu-se, por fim, publicá-lo.
Se ele lhe provocar algum tipo de abalo
É que ambos partilham da mesma demência.
Outro nome talvez lhe roubasse a essência.
O autor decidiu-se, por fim, publicá-lo.
Se ele lhe provocar algum tipo de abalo
É que ambos partilham da mesma demência.
Epílogo do livro "O Ensaio Falhado", de João Paulo Ribeiro
Co’ algum sacrifício a obra foi feita.
Busquei-a no fundo de meu fingimento.
Se tive o aval dos teus olhos alheios
Também foste presa dos mesmos anseios
Com que alimento minha alma imperfeita.
A última estrofe produzo-a agora:
O dia renasce no berço da aurora,
É tempo de luz quando a noite perece;
Ó Musa incorpórea, perdoa o poeta!
Quem sempre viveu com caprichos de asceta
Merece o estertor de uma última prece!
Busquei-a no fundo de meu fingimento.
Se tive o aval dos teus olhos alheios
Também foste presa dos mesmos anseios
Com que alimento minha alma imperfeita.
A última estrofe produzo-a agora:
O dia renasce no berço da aurora,
É tempo de luz quando a noite perece;
Ó Musa incorpórea, perdoa o poeta!
Quem sempre viveu com caprichos de asceta
Merece o estertor de uma última prece!
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