segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Realização pessoal
Sou como os outros mas não sou ninguém.
Minha alma é tresloucada e nada tem.
De resto luto contra os pesadelos
E a vontade de não deixar de tê-los.
Minha alma é tresloucada e nada tem.
De resto luto contra os pesadelos
E a vontade de não deixar de tê-los.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Momento de nirvana
"_ Bem vinda à minha casa. - eu te agradeço
pela boa intenção com que vieste.
Descalce as botas. Tens o meu apreço.
É-me agradável este teu ar celeste."
Saudei-te assim, e, dessa forma, entraste
Na alcova deste que da vida é farto.
Eras tão bela que um fatal contraste
fez-se presente entre a tua luz e o quarto.
Amamo-nos. Teu corpo era a seara
onde meu corpo nunca descansara.
O sol chegou com lances de ouro puro.
Ah! Naquele momento de nirvana
tu me fizeste amar a forma humana
do teu corpo entalhado com apuro...
Araxá, em 2008
Copyright 2008 - Todos os direitos reservados.
pela boa intenção com que vieste.
Descalce as botas. Tens o meu apreço.
É-me agradável este teu ar celeste."
Saudei-te assim, e, dessa forma, entraste
Na alcova deste que da vida é farto.
Eras tão bela que um fatal contraste
fez-se presente entre a tua luz e o quarto.
Amamo-nos. Teu corpo era a seara
onde meu corpo nunca descansara.
O sol chegou com lances de ouro puro.
Ah! Naquele momento de nirvana
tu me fizeste amar a forma humana
do teu corpo entalhado com apuro...
Araxá, em 2008
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terça-feira, 28 de outubro de 2008
A exatidão do mundo antigo
Cada vez que me observo interiormente
através dos espelhos da retina,
sinto-me como um ser que já não sente,
e por pouco sentir, só se imagina.
Toda estrela tem brilho diferente,
toda mentira ainda é cristalina.
Lembro-me de quem fui, e, vagamente,
sei que minha alma é uma hórrida assassina.
Já fui, por certo, o sonho de meu pai -
equlibrista sóbrio que não cai -
e minha mãe me aconchegou no inverno;
Mas a vida traiu-me, silenciosa,
e um silêncio vil de qualquer coisa
me fez calar neste silêncio eterno.
Araxá, em 2008.
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através dos espelhos da retina,
sinto-me como um ser que já não sente,
e por pouco sentir, só se imagina.
Toda estrela tem brilho diferente,
toda mentira ainda é cristalina.
Lembro-me de quem fui, e, vagamente,
sei que minha alma é uma hórrida assassina.
Já fui, por certo, o sonho de meu pai -
equlibrista sóbrio que não cai -
e minha mãe me aconchegou no inverno;
Mas a vida traiu-me, silenciosa,
e um silêncio vil de qualquer coisa
me fez calar neste silêncio eterno.
Araxá, em 2008.
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terça-feira, 14 de outubro de 2008
Soneto improvisado em um guardanapo escuro
Nesta semana em que ninguém trabalha
(pelo menos aqueles que conheço)
cortarei o meu corpo com a navalha
pr'a ver se dessa forma eu desfaleço.
Busquei o teu carinho, o teu apreço,
e tu me deste o pano da mortalha
com que me visto agora, e reconheço
minha existência totalmente falha.
Já podem preparar a campa escura!...
Nada desejo além da sepultura,
nada observo senão um sumidouro;
E quando eu estiver com os braços frios
talvez os meus ignóbeis desvarios
possam tornar-se os meus castelos de ouro!
Araxá, em 2008.
Copyright 2008 - Todos os direitos reservados.
(pelo menos aqueles que conheço)
cortarei o meu corpo com a navalha
pr'a ver se dessa forma eu desfaleço.
Busquei o teu carinho, o teu apreço,
e tu me deste o pano da mortalha
com que me visto agora, e reconheço
minha existência totalmente falha.
Já podem preparar a campa escura!...
Nada desejo além da sepultura,
nada observo senão um sumidouro;
E quando eu estiver com os braços frios
talvez os meus ignóbeis desvarios
possam tornar-se os meus castelos de ouro!
Araxá, em 2008.
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sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Pela surpresa que me fizeste
Agora que possuo o teu segredo -
Esse brilho no olhar que te estertora -
poderei me livrar deste degredo
que outro amor me condenara outrora.
O teu segredo eu o possuo agora -
esse lábio que a mim se abriu a medo -
como um lírio do campo que bem cedo
se encontra aberto pela luz da aurora...
Venhas! Meus lábios querem o teu beijo
e o meu desejo busca o teu desejo...
Não há virtude se não houver pecado...
Agora sei que a Sorte por mim vela
e atende por um nome: Graziela...
Um anjo que merece ser amado.
Araxá, em 2008.
Copyright 2008 - Todos os direitos reservados.
Esse brilho no olhar que te estertora -
poderei me livrar deste degredo
que outro amor me condenara outrora.
O teu segredo eu o possuo agora -
esse lábio que a mim se abriu a medo -
como um lírio do campo que bem cedo
se encontra aberto pela luz da aurora...
Venhas! Meus lábios querem o teu beijo
e o meu desejo busca o teu desejo...
Não há virtude se não houver pecado...
Agora sei que a Sorte por mim vela
e atende por um nome: Graziela...
Um anjo que merece ser amado.
Araxá, em 2008.
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quinta-feira, 9 de outubro de 2008
A uns olhos negros
Meus sonhos são estátuas deformadas,
criações imperfeitas de um artesão
que tem por ferramenta duas espadas:
uma em sua palma, outra no coração.
Das estátuas se ignora a imperfeição,
pois com vestes celestes adornadas
possuem o encanto estático das fadas
dormindo sob a auréola da Ilusão.
Um dia elas serão por mim despidas,
e o álacre das chagas, das feridas,
mudar-lhes-á o aspecto embevecido;
Mas a ternura dos teus negros olhos
esconderá os pútridos escolhos
que a outros olhos têm sobrevivido.
Araxá, em 2008.
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criações imperfeitas de um artesão
que tem por ferramenta duas espadas:
uma em sua palma, outra no coração.
Das estátuas se ignora a imperfeição,
pois com vestes celestes adornadas
possuem o encanto estático das fadas
dormindo sob a auréola da Ilusão.
Um dia elas serão por mim despidas,
e o álacre das chagas, das feridas,
mudar-lhes-á o aspecto embevecido;
Mas a ternura dos teus negros olhos
esconderá os pútridos escolhos
que a outros olhos têm sobrevivido.
Araxá, em 2008.
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sábado, 20 de setembro de 2008
Mártir dos escombros
A todo homem que sofre agora canto
pois tenho em mim a Humanidade inteira,
e quando um sofre, também sofro, enquanto
a mim não chega a hora derradeira.
Filhos legítimos do desencanto,
sou o afago-reflexo em vossas vistas,
clarão da Idéia, insensatez do pranto,
reflexos de diamantes e ametistas.
Se brilha o Sol e a luz da Lua brilha
minha alma é uma mendiga, é uma andarilha,
que procura esmolar luzes mais fortes.
Carrego em mim, ah!, mártir dos escombros,
a Tristeza do mundo sobre os ombros
e um cemitério com um milhão de mortes!
Araxá, em 2008.
Copyright - Todos os direitos reservados.
pois tenho em mim a Humanidade inteira,
e quando um sofre, também sofro, enquanto
a mim não chega a hora derradeira.
Filhos legítimos do desencanto,
sou o afago-reflexo em vossas vistas,
clarão da Idéia, insensatez do pranto,
reflexos de diamantes e ametistas.
Se brilha o Sol e a luz da Lua brilha
minha alma é uma mendiga, é uma andarilha,
que procura esmolar luzes mais fortes.
Carrego em mim, ah!, mártir dos escombros,
a Tristeza do mundo sobre os ombros
e um cemitério com um milhão de mortes!
Araxá, em 2008.
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quarta-feira, 17 de setembro de 2008
O barco e seu destino
O barco desconhece o seu destino
mas o cumpre no mar.
Meu destino o cumpri desde menino
e o não pude mudar.
Como quem se distrai e não enxerga bem
a chegada das trevas,
não me pude encontrar nos suspiros do Além
de outras Eras primevas.
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mas o cumpre no mar.
Meu destino o cumpri desde menino
e o não pude mudar.
Como quem se distrai e não enxerga bem
a chegada das trevas,
não me pude encontrar nos suspiros do Além
de outras Eras primevas.
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Suicida-embrião
O suicida-embrião
estuda, lentamente, e premedita
como ausentar-se deste mundo vão
e anestesiar a consciência aflita.
Melhor morrer com honra
do que viver sem ela.
estuda, lentamente, e premedita
como ausentar-se deste mundo vão
e anestesiar a consciência aflita.
Melhor morrer com honra
do que viver sem ela.
O espantalho
Minhas ânsias, minhas febres,
minhas esperanças breves,
dêem-me a força redentora.
Sou um espantalho triste
que paralisado assiste
ao assalto na lavoura...
minhas esperanças breves,
dêem-me a força redentora.
Sou um espantalho triste
que paralisado assiste
ao assalto na lavoura...
O imbecil
Onde os santos protetores?!...
Neste festival de horrores
tudo acaba, nada dura.
O Sonho nasce e perece
como em seu âmago houvesse
patologias sem cura!
Neste festival de horrores
tudo acaba, nada dura.
O Sonho nasce e perece
como em seu âmago houvesse
patologias sem cura!
Loucura precoce
Acreditar em deuses?
Cada homem possui um deus dentro do peito.
Alguns trazem reveses,
outros cobrem de glórias o guerreiro eleito.
Meu sangue gela quando estou sozinho
pronto para morrer.
Arrastei-me, aos farrapos, no caminho,
e o que fui não há-de ser.
A carne é fraca e o espírito perece
aprisionado e inculto,
e quando a carne enfim desaparece
da Sombra nasce o Vulto.
Errei por muito tempo, relembrando,
uma paixão doentia.
Vivi como um cadáver miserando
na Terra da Agonia.
Das batalhas vencidas nesta guerra
aprendi a ser forte.
Como o coveiro que ao defunto enterra
enterrei minha sorte.
Sou um carteiro extravagante
que lê as cartas de outrem
para levar a vida adiante -
a dos outros, que a dele ele não tem.
Copyright 2008 - Todos os direitos reservados.
Cada homem possui um deus dentro do peito.
Alguns trazem reveses,
outros cobrem de glórias o guerreiro eleito.
Meu sangue gela quando estou sozinho
pronto para morrer.
Arrastei-me, aos farrapos, no caminho,
e o que fui não há-de ser.
A carne é fraca e o espírito perece
aprisionado e inculto,
e quando a carne enfim desaparece
da Sombra nasce o Vulto.
Errei por muito tempo, relembrando,
uma paixão doentia.
Vivi como um cadáver miserando
na Terra da Agonia.
Das batalhas vencidas nesta guerra
aprendi a ser forte.
Como o coveiro que ao defunto enterra
enterrei minha sorte.
Sou um carteiro extravagante
que lê as cartas de outrem
para levar a vida adiante -
a dos outros, que a dele ele não tem.
Copyright 2008 - Todos os direitos reservados.
A função réproba do filho sem pai
Como alguém que fome sente
e caminha descontente
sem poder alimentar-se,
na poesia procuro
acender meu ser escuro
com uma vela de catarse.
e caminha descontente
sem poder alimentar-se,
na poesia procuro
acender meu ser escuro
com uma vela de catarse.
Oração da auto-penitência
Eu sou a criatura estranha e louca
de passo tímido e existência pouca,
monstro de escuridão e de torpor.
Sou o carrasco dessa nova estética,
mártir tristonho da conduta ascética -
Olhai por mim, olhai por mim, Senhor.
Olhai pelos meus sonhos tão sombrios
que não verão a luz do manto azul;
olhai pelos meus áureos desvarios
e deixai-me sereno e pleno e nu;
Olhai por minhas asas sequiosas
destas imensidades arredias;
Vigiai meu coração - manto de rosas -
de onde brotam celestes harmonias...
Não me disseram, ó Pai dos penitentes,
que as almas superiores são malditas
por viverem pior que os indigentes
nesta terra de dores infinitas;
Só me basta saber que não me findo
como findam as luzes das estrelas
quando o nascente a imensidade vem medindo
numa ânsia de excitar no mar procelas...
Olhai por mim, em tudo e a toda hora,
desde a minha saída até a chegada,
pois minha alma estremece e treme e chora
qual uma criança numa casa abandonada.
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de passo tímido e existência pouca,
monstro de escuridão e de torpor.
Sou o carrasco dessa nova estética,
mártir tristonho da conduta ascética -
Olhai por mim, olhai por mim, Senhor.
Olhai pelos meus sonhos tão sombrios
que não verão a luz do manto azul;
olhai pelos meus áureos desvarios
e deixai-me sereno e pleno e nu;
Olhai por minhas asas sequiosas
destas imensidades arredias;
Vigiai meu coração - manto de rosas -
de onde brotam celestes harmonias...
Não me disseram, ó Pai dos penitentes,
que as almas superiores são malditas
por viverem pior que os indigentes
nesta terra de dores infinitas;
Só me basta saber que não me findo
como findam as luzes das estrelas
quando o nascente a imensidade vem medindo
numa ânsia de excitar no mar procelas...
Olhai por mim, em tudo e a toda hora,
desde a minha saída até a chegada,
pois minha alma estremece e treme e chora
qual uma criança numa casa abandonada.
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