
A quem pudesse errar assim como eu
Amante do erro sou, e mais pudesse
Cantar com mais tristeza do que Orfeu
Cantou sozinho a derradeira prece;
A quem pudesse amar como amei
A criatura indigna que despreza;
A quem soubesse a solidão de um frei
Que não tem esperança e ainda reza,
A quem soubesse ver-me como sou
E a minha vida a seiva alimentasse
No acalento materno de outra infância...
Eu lhe daria a dor de quem amou
Traduzida num beijo alheio à face.
Um beijo sem ternura e sem ânsia.
Perdizes, outubro de 2009

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